19 de julho de 2008

Histórias de Ônibus Parte II

Mochilas
Outro problema que enfrento nos ônibus são as mochilas.
Aliás, as mochilas não porque elas são seres inanimados, mas sim os sem noção que andam com elas nas costas no meio do corredor do ônibus lotado.
Ônibus lotado já é difícil de andar, agora imagina você tentando passar e não consegue porque tem uma mochila ocupando o espaço.
Vamos relembrar o poeta Carlos Drummond de Andrade:
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No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
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Agora substitua a palavra “pedra” por “mochila” e “caminho” por “corredor”.
É bem por aí a rotina no transporte coletivo. E nessa mesma quantidade de “pedras no caminho” que o poema cita. Por dia.
Não é possível que as pessoas não se sintam incomodadas com um monte de gente arrastando a mochila numa tentativa estressante de chegar ao outro lado.
Ah, agora lembrei de uma coisa: outro dia, eu toquei nesse assunto com alguns colegas de trabalho, dizendo que mochila em ônibus era bastante complicado. Foi quando uma menina falou: “É mesmo, enche o saco! Principalmente quando as pessoas passam arrastando a minha mochila junto”. Agora imaginem a venda de ações da Bolsa de Valores. Pois é, foi como atacamos a coitada quando soubemos que ela era uma “mochileira dos corredores”. Isso prova que eles se irritam com isso também, só não percebem que eles são o problema.
As linhas que passam perto de casa são de micro-ônibus, e de manhã os ônibus enchem mesmo, horário de pico. Em época de aula, tem sempre uns meninos de mochila no ônibus que eu pego. Tem um deles que todos os dias, religiosamente está colado com a catraca e de mochila nas costas, mesmo que mais pra trás ainda tenha espaço. No primeiro dia eu pedi licença normalmente, no segundo pedi licença novamente, mas com um pouco menos de paciência. No terceiro dia, eu usei aquele tom de “você não percebeu que está atrapalhando, não, sua mula?”. Como o menino estava todos os dias lá na mesma posição, do quarto dia em diante passe a arrastar a mochila.
Fora que é muito divertido arrastar mochila, eu acho.
Vocês podem até estar pensando que um dia a “mochileira dos corredores” pode ser eu. Mas eu tenho o bom senso de, ou usa-la na frente, ou de lado, ou colocar no chão, ali naquele cantinho entre um banco e outro.
E claro, pedir licença antes pra pessoa que estiver sentada.

Um comentário:

erica disse...

eu adoro carregar pessoas, eu adoro mais ainda carregar as pessoas através das suas mochilas, bolsas, sacolas e o que estiver no meio do meu caminho.
pode ser na entrada, na saída ou no meio do caminho.
passagem de metro/onibus 2,40
mochila 40,00
carregar mochilas e seus respectivos donos pelo corredor não tem preço