2 de abril de 2010

Escondidos

Ter estilo é ótimo! Eu acho, pelomenos.
Todos têm seu estilo, no entanto, eu não acho que todos os estilos me agradam.
Claro que a moda contribui muito com os estilos. Eu pelomenos, quando eu tinha uns 13 anos, achava que as minhas calças tinham que ter a boca um pouco mais larga, e hoje eu tenho horror a calça com boca larga. E isso foi uma contribuição da moda para o meu estilo, porque a moda trouxe (ou fez retornar, não sei) as calças mais justas com as bocas mais apertadinhas.
Mas tem uma coisa que me faz pensar "por quê". Há alguns acessórios que são superestilosos, mas não favorecem a pessoa, sabe? Eu não usaria alguma coisa que me deixasse mais feia, mas se tem gente que gosta, tudo bem. Elas devem estar se sentindo bem com eles.
Para ser mais direta, a moda trouxe (ou fez retornar, não sei) aqueles óculos enormes, como aqueles que a minha vó, que como uma autêntica virginiana não jogou fora e estão guardados há uns trinta anos na gaveta da cômoda dela, usava. Eles são retos em cima e ovalados embaixo. A inovação é que os de hoje têm a armação colorida. Já vi branco, vermelho, amarelo, verde...
Eu não usaria. Óculos já nos deixam com cara de séria, alguns até nos envelhecem. Outros nos deixam até mais charmosas, mas os que escondem nossa beleza pra mim não vale.
Esses dias eu vi no ônibus uma menina muito bonita, mas quase não se via o rosto dela, de tanta atenção que os óculos chamavam. Ela estava, sem sombra de dúvidas, estilosa, mas se escondia atrás dos óculos. Talvez ela tivesse vergonha de ser bonita, né?
Na verdade, eu nem sei dizer se esse estilo de se vestir aceita outro tipo de armação que não essa a qual estou me referindo. Mas sei que essa moda não vai durar pra sempre.
Bom, o fato é que eu to falando que não gosto desses óculos hoje, mas quem sabe, daqui há uns 20 anos quando a moda fizer aparecer novamente esses óculos, eu não me torne uma adepta?
Ué, não aconteceu com as minhas calças?

19 de fevereiro de 2010

Direito

Por que uma pessoa pega um cachorro e o deixa acorrentado?
O animal não consegue ir muito longe, e isso fará com que ele faça as necessidades próximas ao local onde faz as refeições, fora que ele não se sentirá amado e corre o sério risco de se tornar um animal agressivo.
Se a sua intenção é mesmo deixar o cachorro violento, acredito que há maneiras melhores para isso, acompanhado de profissionais que sabem o que fazem.
Mas o que me fez pensar nesse assunto foi ver um cachorro magrinho, vira-latas que está sempre acorrentado no quintal de uma casa que está no trajeto pro meu trabalho. Eu vejo o bicho todos os dias na mesma situação e juro que pensei em muitos motivos que levariam o dono a fazer isso. Não consegui achar nenhum plausível.
Se não gosta de cachorro, então, por que pega um pra criar?

Alô?

No meu trabalho, quando a secretária da diretoria vai almoçar, eu fico com as funções dela, tais como atender telefone, recepcionar quem vem de fora, fazer ligações para os diretores, essas coisas.
Eu gosto de fazer isso, não me incomodo de ficar no lugar dela enquanto ela almoça. O problema é que o telefone dela toca muito, então fico muito tempo ao telefone. Na verdade, o problema real não é esse. O que me irrita mesmo é que, quando eu estou ao telefone, sempre chega alguém na sala e começa a falar comigo também, aí eu não consigo nem prestar atenção na pessoa que está do outro lado da linha e nem na pessoa que está falando na minha frente. Muitas vezes nem é tão urgente assim. Será que a pessoa não consegue esperar eu desligar para me dar o recado? Se for muito urgente, me peça para desligar, me mostre um bilhetinho, mas não perca seu tempo falando tudo porque depois que eu desligar, você vai ter que dizer denovo.
E nem adianta dizer que eu não tenho capacidade de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Tenho sim. Mas prestar atenção em mais de uma coisa é outra história. A nossa volta há muita informação, entretanto, para que não haja o caos, o nosso cérebro decide o foco de nossa atenção e o restante fica em segundo plano. Não é desculpa, pode procurar saber.
Depois fica tudo uma bagunça e já viu, né?
Eu até entendo que fazer isso, de chegar falando, é conseqüência de uma vida corrida. Para tudo temos pressa.
Mas do que adianta atrapalhar o meu trabalho? Fora que é como eu disse, eu vou pedir pra você repetir depois que eu desligar o telefone. Trabalho dobrado e perda de tempo precioso.
Acho que ta faltando paciência, só não sei se minha ou deles.

12 de fevereiro de 2010

Sei que eu estive ausente

Então...
Acho que essa já é a quarta vez que justifico meu período de ausência.
Mas é que depois de tantos trabalhos da faculdade, o máximo de coisas que eu pude evitar que me forçassem a pensar ou a digitar eu fiz.
Como disse a professora Sonia Galvão, pensar dói.
E como dói, gente.
Fazer faculdade é bom, mas é ruim! Não me arrependo, sei que quando me formar o gosto será melhor por conta do grande esforço que estou fazendo.
É tão duro recusar dias ensolarados na praia porque tem que estudar...
Mas, tudo bem.
Desabafei, obrigada.

Temos um texto novo aí embaixo óóó
Beijos e até um dia aí

Isso é um convite?

Imagina que algum colega seu te encontra e cobra: “heeeyyy por que não foi à minha festa?” Você, por um instante, acha que teve uma amnésia repentina e faz força para lembrar do convite. Sem lograr êxito (ó!), desiste e pergunta: “você fez festa?” e o colega responde: “claro, e eu te mandei o convite, não viu seu Orkut por esses dias, não?”
É... é triste, né? Eu sei que é porque isso já aconteceu comigo. Por conta das aulas, trabalhos da faculdade, vida corrida, a última coisa que eu me lembrava de ver era meu Orkut, afinal de contas, o que teria de tão urgente em um site de relacionamento?
Pois é. Depois de quase mais de um mês sem ver meu Orkut, finalmente acesso para tirar as bolas de feno que estavam passando por lá e vi em forma de depoimento que uma amiga faria o aniversário na sexta-feira. Mas... que sexta-feira? Provavelmente já tinha passado. Era um convite bem vago, do tipo: “me encontre ao por do sol”.
Ela não me cobrou a presença, nem eu cobrei um convite decente e ficou por isso mesmo.
Bom, eu só tenho a concluir que a minha presença pouco importava. Como é que alguém faz um convite e nem tem certeza se a pessoa receberá? Talvez seja pra se livrar de qualquer peso na consciência por não ter convidado, para pensar que teve seu dever cumprido.
Quando queremos mesmo que uma pessoa compareça a algum evento, ligamos pra ela e, se sabemos que a pessoa acessa esses meios eletrônicos com freqüência, podemos até enviar um recado virtual, sem problemas. Mas temos que ter a certeza de que ela recebeu.
O mesmo pode acontecer com mensagens de celular. Quantas vezes já não recebi mensagens que pessoas me mostraram depois que haviam mandado? Muitas.
Eu sei que todo mundo tem uma vida atribulada, mas eu penso que quem quer, faz.
Não podemos confiar muito nesses meios de comunicação.
Nem todo mundo passa os dias conectados a internet, tem celular que recebe mensagem, e é disso que as pessoas precisam lembrar. Mas precisam lembrar também que simplesmente jogar um recado pra alguém não significa que a pessoa vai recebê-lo, e isso acaba surtindo o efeito contrário, pois, ao invés de eu ter me sentido incluída na lista de convidados da pessoa, eu me senti apenas mais uma colega convidada para dar o número mínimo de pessoas para ganhar um bolo.
Ah, mas ela ganhou um bolo, o meu, que, aliás, foi ela mesma quem preparou.

15 de outubro de 2009

Nham Nham

Quando se trata de comida, tem muitas coisas que nos fazem passar vergonha.
Uma grande vergonha é quando você vai a um jantar formal e encontra três (ou mais tipos) de talheres sobre a mesa. Quando chega o prato você não sabe se come com a mão, qual garfo usa, se deve cortar. Complicado, não?
Esse negócio de etiqueta exclusivo, mas isso outro assunto.
Elegâncias a parte, há coisas que acontecem até com quem tenha estudado etiqueta. Quem é que nunca pegou um canapezinho pensando que fosse de uma coisa e, quando colocou na boca, percebeu que era outra que não gosta ou não pode comer? Há quem prefira comer e já por outra coisa por cima, há que saia de fininho para o toilette para jogar fora, mas há quem cuspa no primeiro guardanapo que aparecer.
Mas e quando você vai comer pão de forma e fica tudo grudado no céu da sua boca? Isso pode acontecer com qualquer pessoa, não pode? O que fazer nesse momento? Depende se está em público ou sozinho em casa, mas é cansativo ficar tentando empurrar com a língua, não é?
E se você corta um pedaço de carne e ele pula pra fora do seu prato? Aí não dá nem pra disfarçar.
Uma coisa que acontece muito é quando eu pego ovinho de codorna. Se você decide colocá-lo inteiro na boca, o desafio é conseguir mordê-lo sem abrir a boca, e quando você decide cortá-lo, o desafio é conseguir espetá-lo com o garfo, pois sem um apoio ele fica rolando pelo prato.
Mas uma vergonha muito grande que eu passei uma vez foi quando almocei com um pessoal do trabalho e o restaurante tinha, na saída, uma bandeja com doce de leite, doce de abóbora, suspiro, café e chá. Eu peguei um suspiro e quando coloquei na boca, a Elaine falou alguma coisa engraçada. Voou suspiro da minha boca, só que tinha uma moça na minha frente e vários farelos do suspiro pousaram sobre a bolsa dela.
Só espero que ela não tenha percebido que fui eu.

3 de setembro de 2009

Pode repetir, por favor?

Aprendemos na graduação de letras que a língua é dinâmica, ou seja, ela se modifica com o tempo, novas palavras vão sendo incorporadas, outras mudam seu sentido original.
Talvez o que observei e vou expor agora não seja exatamente uma mutação da língua, mas uma conseqüência da vida moderna e com pouco tempo.
Tornar as coisas mais práticas geralmente é muito bom. Mas e quando diminuímos as palavras em função de ganhar tempo?
Muitas vezes não somos compreendidos por todos, ou então já nem sabemos como é a palavra inteira.
Esse é o caso do cinematógrafo e do pneumático. Eu estava lendo um livrinho do Professor Sergio Nogueira, aquele que vai no Soletrando, e ele citou esses dois casos.
O cinematógrafo é o que chamamos hoje de cinema e o pneumático é o famoso pneu. Eu não sabia disso até aquele dia.
Os nomes de cidades ou estados, principalmente os compostos, também passam por isso. Hoje, se eu digo, vou viajar para o Rio, as pessoas saberão que irei ao Rio de Janeiro, ou se disser que acampei em Floripa, todos sabem onde estive.
Eu, particularmente, não gosto muito dessas diminuições
É como dizer facul. É bem difícil encontrar quem diga, informalmente, “faculdade”.
Outro dia eu estava conversando com meu primo
Matheus e ele disse: “depois levamos a vó pra soci”. Eu sei o que ele quis dizer, provavelmente algumas pessoas de São Bernardo também saibam, porque “soci” é o apelido carinhoso da Associação dos Funcionários Públicos de São Bernardo do Campo.
Isso também ocorre muito com nomes das pessoas. Todas as Carolinas são Carol, todas as Tatianas são Tati, todas as Fabianas são Fabi, e por aí vai.
Mas eu quando o nome fica difícil de diminuir?
Por exemplo, Conceição. Eu conheci uma moça que chamava a cunhada dela de “Ção”. Fico na dúvida se é mais bonito chamar de Ção ou Concei...
E um senhor que trabalha na empresa que se chama Arimatéa. A maioria do pessoal o chama de Ari, mas um dia Camila Antonelli contou que entrou na sala dele e disse: “bom dia, seu Arima”. Eu achei muito engraçado.
Mas, na minha opinião, o apelido inesquecível foi o que um menino que até já saiu da faculdade colocou na nossa professora de filosofia.
O nome dela é Maria Immaculada, mas nós a chamávamos só de Immaculada. Ela havia passado uma atividade para entregar e, quando chegou o dia da entrega, esse menino me perguntou: “você fez o trabalho da Immacu?”
Dou risada disso até hoje.